Poesia da Noite e do Dia


O Primeiro Não

 

Insensível

O rato

Insensato

E intimorato

Abre caminho

Invade e destrói

O ninho

De magafafinhos

 

E eu menininho

Descubro

O ninho

De ovos

Violados

 

Tamanho descalabro

Para mim

O primeiro não na vida

De tão poucos sins



Escrito por Renato Saldanha Lima às 19h19
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Gosto da ostra,
Feia,
Fechada.
Dentro riqueza:
Pérola límpida, imaculada.

Outras ostras
Limpas,
Enfeitando aquários
De restaurantes,
Loucas
A serem devoradas,
São ostras ocas
Criadas longe do mar,
Em tanques assépticos
A que chamam lar.

Gosto da ostra,
Feia,
Fechada,
Nascida na sujeira
Do fundo do mar.



Escrito por Renato Saldanha Lima às 15h54
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Qual O Destino da Ourivesaria Nossa

Ao meu filho Danilo

 

Onde anda

O nosso pequeno

A brincar e a correr

Dentro de casa,

Sob nossos olhares marejados

De ternura?

Espanta-nos a alvura,

Da tua plácida idade.

Neste momento de calma,

Ficamos aflitos.

 

Nosso menino ainda corre e brinca

Dentro de casa

Sob nossas asas,

Mas um fundo suspiro

Assalta-me.

 

Meu tesouro,

Ourivesaria que se faz e fazemos,

O tempo trazer-te-á a todos?



Escrito por Renato Saldanha Lima às 17h04
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O mesmo homem que faz a guerra,

Traz-me a paz.

Que mistério esse ser em si encerra,

Aceito-o sem nenhum mas.

Escrito por Renato Saldanha Lima às 21h46
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Há quem viva a vida

Com medo

Da partida

E, cedo,

Deixam de viver.

 

Têm um dia-a-dia

Sem gosto,

Sem folia,

Centrado na fobia

De não mais ser.

 

Qual a senha

Para a vida?

 

Ter medo da morte

                              Para bem viver!



Escrito por Renato Saldanha Lima às 20h47
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DOMINGO DAS MÃES
(à minha mãeZinha e à mãe do filho meu)

 

Nove meses

De oco breu
E então à Luz

Ela me deu

 

Filho da Mãe

Eu Sou

 

E mais

Pai

Se o Sou

Sou-o pela Mãe

Do Filho Meu

 

Amigos

Se hoje os tenho

É porque antes

Nos tiveram

Nossas Mães

 

Que Mães
Que Mulheres

Fortes

Como as colheres

Transbordantes de papa,

Vitaminas e carinho

 

Colo quente

Acalanto

Ao pranto

Da noite fria

De terror e medo



Escrito por Renato Saldanha Lima às 18h23
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E é assim

Porque desde meninas

Aprendem a fazer

De qualquer lugar

Um lar

De natureza solar

 

Que ensolarados fiquem,

Neste domingo,

Hospitais,

Hospícios

E presídios.

 

Que ensolarados fiquem também

Mansões,

Apartamentos

E palafitas

 

Que o Homem

(mesmo o embrutecido

ou o  entediado)

Rememore

A infância ida

E chore o pranto manso

Pela doçura
(Somente pensada)

Perdida

 

Que neste Amar
Enfim

Possam as Mães

Ser eternas

E ternas

Intensamente

Sempre em nós

E no nosso amar.



Escrito por Renato Saldanha Lima às 18h22
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Os Alienistas

(ao Machado de O Alienista)

 

Os outros olham os loucos

Como se não fôssemos todos nós

A confabular com o vazio.

 

Os outros olham os loucos

Como se não fossemos todos nós

Os alienados.

 

São poucos

Os loucos

Que sabem da sua própria loucura,

Que sabem da dor

Por todo o canto

E seguem mais ou menos sãos

Entre escombros por todos os lados.

 

Estamos todos internados no mundo

E basta um mero segundo

Para que tudo caia.

 

São todos uns doidos

A negar a realidade

E rindo dos loucos,

Que não a negaram

E que, por isso, tampouco a suportaram.



Escrito por Renato Saldanha Lima às 17h33
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Narciso Terrificado

 

Ferve

Minha verve.

Quando Escrevo,

Exponho meu nervo.

 

Nervuras do real

Racham minh’alma

Como raios

Na noite lúgubre.

 

A perfídia dos,

Como eu,

Homens

Instila

Na tinta negra

O seu fétido.

 

Assume o ar

O peso do rinoceronte

E sua cegueira o envenena;

Translúcido e opaco,

Sufoca-me

Por não me deixar

Olhar e ver

A minha face.

 

Ergo-me

Ao Espelho.

O visto

Apavora,

Devora.

 

Como narciso,

Terrificado,
Demora-me

A Eternidade

A Visão

De Mim (?).



Escrito por Renato Saldanha Lima às 23h24
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Continuação...

O horror

Dessa Dor

Purga-me,

Apartando-me do humano Ser

Sem deixar de ser Humano

E passo vidas, então,

Aprendendo a só ser
Um Humano Ser.



Escrito por Renato Saldanha Lima às 23h24
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Suavidade Diamantina

 

A suavidade é um diamante

Que, bruto, o bruto carrega

No peito.

 

Lapidado
Na procura da doçura:
Extasia e encanta.

 

Mas o tempo passado no trabalho
De fazer brilhar o valor,
Infelizmente, é ofuscado,

Para a maioria,

Pelo brilho

Do que sempre existiu no homem

E que somente,

De um momento para o outro,

Passou a refulgir.



Escrito por Renato Saldanha Lima às 11h21
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AMASSAR
A Antonio Callado em Entre o Deus e a Vasilha

Amassar
A massa
Amorfa,
Amassar.
Bater
Raivoso.
Ver
A massa,
Amassada
Com as mãos,
Moldar-se
Lentamente,
Dissipando
O furor
Do criador
E toda dor
Em Amor
Tornar-se.
Fez-se
Um Deus
Ou uma Vasilha?



Escrito por Renato Saldanha Lima às 19h33
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Emanência

A Fernando Pessoa, o finge dor.

 

Emana de mim

O que me é imanente,

Verdadeiro

E presente.

 

Daí as vantagens

Da Poesia:

Ser por ela fingidor

E poder dizer,

A talante,

Ais ou não

Às dores que,

Deveras,

Ninguém sabe

À vera
Se se sente.



Escrito por Renato Saldanha Lima às 12h36
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Da Vida Réu Confesso

Dedicada às primeiras linhas de Confesso que Vivi,
de Pablo Neruda, porque, quando Nelas pus meus olhos,

vi  que  a Obra está em Tudo e em cada Detalhe.
Nela Seu Arquiteto. E fora também
.

 

Arranque

Força e coragem

Do tambor do peito,

Para confessar: vivo!

E vivo, poder seguir vivendo.

Depois,

Seu sorriso,

Eternamente na máscara mortuária,

Permanecerá sorrindo

Escrito por Renato Saldanha Lima às 18h21
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Textura de Coragem

A todos os anos novos

 

Remendo

Todos os medos,

Meros arremedos

Com textura aparente de coragem.

Estiagem

Entre tempestades

De renovados assombros

E mais escombros

Sobre mim.

 

Medo madrugador

De linhas fracas

A arrebentar

Na minha Alma.

 

Calmo,

Corro a tomar a agulha do Real,

Para com a minha linhagem,

Costurar um elmo,

De lona tosca e bruta,

Do meu sangue rubra,

Para que me cubra

Com a verdadeira textura da coragem

Contra os fatídicos destroços

Dos tempos futuros de outras ilusões,

Rainhas destronadas

Do espírito meu.

Escrito por Renato Saldanha Lima às 17h50
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